Supremo sob pressão: manobra busca blindar ministro Moraes de inquérito

Com base em análises recentes, investigadores envolvidos no “Caso Master” relatam que a situação jurídica do ministro Alexandre de Moraes é, até o momento, mais complexa do que a do ministro Dias Toffoli. Esta avaliação surge da constatação de que, enquanto a relação de Toffoli parece ter natureza comercial, envolvendo compra e venda de parte de um resort, há elementos que apontam para uma atuação de Moraes diretamente em favor de interesses do banqueiro envolvido. A gravidade destas alegações coloca em xeque a imparcialidade do Judiciário e a confiança da sociedade na Suprema Corte.

Nesse contexto, uma operação parece estar em andamento para formar maioria no Supremo Tribunal Federal e impedir a abertura de um inquérito contra o ministro Moraes. O plano consistiria em fragilizar a posição do ministro Nunes Marques perante a opinião pública e no próprio julgamento, buscando que ele vote contra a investigação de Moraes.

Advogados conectados ao caso, avalizando essa suposta operação, teriam divulgado a informação de que Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil por serviços. Estes valores foram pagos pela Consult Inteligência Tributária, uma empresa que, no mesmo período, embolsou R$ 6,6 milhões do Banco Master.

A revelação, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi seguida pela defesa de Kevin, que esclareceu nunca ter recebido fundos diretamente do banco, mas sim por meio de uma relação indireta com a consultoria.

Embora Nunes Marques seja visto como próximo ao ministro André Mendonça, relator do “Caso Master” na Corte, há a percepção entre os investigadores de que uma possível ameaça à sua própria imagem ou à de seu filho poderia levá-lo a barrar a investigação.

Isso porque, nos cálculos de quem acompanha de perto o processo, existe hoje uma maioria por pouco a favor da abertura da investigação contra Moraes. Esta maioria seria composta pelos votos dos ministros Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques. Em oposição, estariam os ministros Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

O regimento interno do Supremo Tribunal Federal exige que toda investigação contra um de seus membros seja autorizada pelo plenário, onde o ministro Moraes não votaria. Se a investigação for aberta, ela prosseguirá, mas a decisão de propor uma ação penal caberá ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Há dúvidas entre os investigadores se ele, dadas suas relações próximas com Gilmar Mendes e o próprio Moraes, optaria por denunciar qualquer ministro da Corte.

Até o momento, as apurações avançam e a expectativa é de que sejam concluídas em aproximadamente um mês. Em paralelo, a delação de Daniel Vorcaro segue em andamento. As informações coletadas pela Polícia Federal serão confrontadas com os dados fornecidos por Vorcaro, e, posteriormente, o relator do caso no STF analisará a possível homologação da delação premiada.

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