Apuração: reunião fechada no STF expõe divergências e aprofunda racha interno

Foto: Agência Brasil

Uma reunião a portas fechadas no Supremo Tribunal Federal (STF), realizada no último dia 12 de março, evidenciou e aprofundou divergências internas entre ministros sobre como conduzir a crise envolvendo o caso Banco Master.

O encontro foi solicitado pelo ministro Gilmar Mendes ao presidente da Corte, Edson Fachin. Inicialmente restrita aos dois, a reunião passou a contar também com a presença de Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Parte dos ministros cobra de Fachin uma atuação mais firme na defesa pública de colegas citados em reportagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente do STF, no entanto, tem adotado uma postura de cautela e defendido a autocontenção da Corte.

Durante a reunião, ministros reforçaram que cabe à presidência liderar uma resposta institucional à crise. A avaliação interna é de que Fachin tem priorizado uma agenda própria, como a proposta de criação de um código de ética — medida que enfrenta resistência de nomes como Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Quatro dias após o encontro, o presidente do STF disse que o tribunal deve buscar a autocontenção e que a Constituição Federal não pode ser usada como um “cardápio de argumentos” disponíveis para defender qualquer decisão ou tese de interesse.

Nos dias seguintes ao encontro, decisões de ministros do STF representaram reveses a iniciativas no Congresso que buscavam avançar nas investigações sobre o Banco Master. Cristiano Zanin rejeitou pedido para obrigar a instalação de uma CPI na Câmara. Já Gilmar Mendes anulou medidas de investigação aprovadas por comissão parlamentar, e Flávio Dino determinou que um senador prestasse esclarecimentos sobre a destinação de emendas.

Diante da pressão interna e do desgaste de imagem, Fachin também articulou nos bastidores para acelerar o julgamento sobre a prisão de Vorcaro. A Segunda Turma do STF formou maioria em menos de uma hora para manter a decisão, em movimento visto como tentativa de reduzir o impacto da crise e evitar prolongamento de incertezas sobre o posicionamento da Corte.

Com informações da CNN Brasil

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