Com 627 diagnósticos, o Rio Grande do Norte ocupou a 6ª posição nacional no número de novos casos de câncer infantojuvenil em 2025. Um ano antes, o estado havia ocupado a 11ª posição no total de diagnósticos da doença na faixa etária de 0 a 19 anos, com 641 casos. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce da doença, que é a mais letal para crianças e adolescentes no Brasil, o que fortalece o tratamento e aumenta as chances de cura.
O número de novos casos de câncer infantojuvenil registrados no RN caiu 2,18% entre 2024 e 2025, mas houve redução mais expressiva em outros estados: o Espírito Santo, por exemplo, teve queda de 60%, de 295 para 118 diagnósticos. No Brasil, o total de novos casos nessa faixa etária recuou 24,2%, de 15.811 para 11.984 diagnósticos. Os dados são do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde, e foram compilados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) em 15 de janeiro de 2026.
Do total de casos da doença no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que apenas 3% acometem o público infantojuvenil. Se diagnosticadas precocemente, cerca de 80% das crianças e adolescentes podem ser curadas e receber tratamento em centros especializados, segundo o Inca.
O pediatra Tiago Dalcin, membro da Sobrasp, observa que o câncer infantojuvenil é pouco debatido, pois a doença é mais associada a adultos e idosos. “Os sinais e sintomas do câncer na infância e na adolescência muitas vezes são inespecíficos. Eles podem acontecer ao longo do tempo, confundir-se com outras doenças e demorar para que seja feito o diagnóstico”, afirma.
“Os sintomas são, por exemplo, palidez, perda de peso, algum caroço ou nódulo que não dói, e manchas roxas pelo corpo”, explica. Para Dalcin, é importante investigar os sinais, caso existam, e realizar acompanhamento médico mesmo sem queixas, a fim de avaliar o desenvolvimento da criança ou adolescente.
Ana Járvis, superintendente da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, resume a importância do diagnóstico precoce em “salvar vidas”. “O câncer existe, e a gente está perdendo [vidas] pela falta de suspeição, pela falta de investigação”, afirma. Ela lembra que há cerca de 80% de chances de cura em casos em que se descobre a doença cedo.
Contudo, a falta de diagnóstico e dificuldades de acesso ao tratamento atrapalham o combate ao câncer. A Casa Durval Paiva, em Natal, acolhe crianças, adolescentes e suas famílias, antes, durante e após o tratamento.
Para a Sobrasp, o câncer infantojuvenil causa “forte impacto social e emocional” e afeta a rotina das famílias. “Quem convive com criança sabe o quanto isso vai mobilizar tanto a criança quanto a sua família. A gente precisa dar atenção individualizada para cada caso. Cada criança importa”, diz Tiago Dalcin.
Sobre o impacto do tratamento na rotina familiar, Járvis destaca que os reflexos vão além da saúde: muitas mães abdicam de suas carreiras para acompanhar os filhos e se dedicar ao tratamento. Segundo ela, 80% dos assistidos pela Casa Durval Paiva são do interior do estado e 20% são de Natal e região metropolitana. Na maioria dos casos, as mães vêm até a capital potiguar com os filhos.
Ana Járvis diz ainda que a faixa etária afetada pelo câncer infantojuvenil é mais vulnerável. “Em princípio, o adulto não é um ser vulnerável. Ele já tem autonomia, fala, diz onde há dor, reclama e diz qual é o seu limite. E ele já tem a responsabilidade das suas decisões, de querer fazer o tratamento ou não”, afirma.
Deu na Tribuna do Norte




