O auditor fiscal da Receita Federal Ricardo Mansano de Moraes, investigado por suposto acesso irregular a dados fiscais ligados à família do ministro Gilmar Mendes, perdeu o cargo de chefia que elevava sua remuneração para até R$ 51 mil. O afastamento da função foi publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (19).
Mansano é alvo de operação da Polícia Federal que apura acessos indevidos a informações protegidas por sigilo. O servidor é investigado por acessar, sem autorização funcional, informações fiscais de uma enteada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em depoimento preliminar à Polícia Federal, Mansano afirmou que o acesso teria ocorrido de forma “acidental” e por “infelicidade”, negando intenção de violar o sigilo fiscal.
Mesmo com a justificativa apresentada, ele foi dispensado do cargo de “substituto eventual do chefe da equipe de gestão do crédito tributário e do direito creditório” da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente (SP).
Salário e medidas cautelares
Entre os quatro servidores investigados, Mansano é o que recebe a maior remuneração. Atualmente, o salário é de R$ 38.261,86, mas chegou a R$ 51 mil em dezembro de 2025, considerando a função de chefia.
Os outros três investigados — Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos — recebem entre R$ 11 mil e R$ 12 mil.
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Mansano teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados. Ele também foi afastado das funções públicas, proibido de deixar a cidade onde reside, teve o passaporte apreendido e deverá cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana.




