Foto: Andressa Anholete/STF
Em pouco mais de um mês e meio, o inquérito no STF sobre as fraudes no Banco Master passou a gerar forte tensão política e institucional. O centro das críticas é o ministro Dias Toffoli, relator do caso, acusado de interferir no trabalho da Polícia Federal e de manter vínculos indiretos com investigados.
Reportagem do Estadão revelou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, comprou a participação dos irmãos de Toffoli em um resort no Paraná. A empresa funciona no endereço residencial de um dos irmãos do ministro, o que aumentou os questionamentos sobre imparcialidade.
O desgaste cresceu após Toffoli viajar em jatinho particular com o advogado do Banco Master para a final da Libertadores, em Lima, episódio que atingiu a imagem do STF.
Parlamentares pressionam pelo afastamento do ministro, citando riscos à investigação, mas a Corte ainda não sinalizou medida nesse sentido. No Senado, pedidos de suspeição e impeachment não avançaram, embora mantenham Toffoli sob escrutínio.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já recebeu quatro representações pedindo o afastamento do ministro e arquivou uma delas.
Linha do tempo do caso Banco Master (2025–2026)
01/12/2025 – Dias Toffoli assume a relatoria do caso após citação do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Processo sobe do TRF-1 ao STF a pedido da defesa de Daniel Vorcaro.
02/12/2025 – Toffoli impõe sigilo máximo (grau três) às investigações para evitar vazamentos.
07/12/2025 – Vem a público viagem de Toffoli em jatinho com advogado ligado ao Banco Master para a final da Libertadores, no Peru.
12/12/2025 – Ministro impede que a CPI do INSS tenha acesso a dados sigilosos de Daniel Vorcaro, mantendo-os sob guarda do presidente do Senado.
15/12/2025 – Toffoli determina retomada das investigações, com novas oitivas e possibilidade de quebras de sigilo.
24/12/2025 – Ordena acareação entre Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do BC, sem pedido da PF. PGR tenta suspender, mas Toffoli nega.
27/12/2025 – Banco Central questiona a acareação; Toffoli rejeita recurso e mantém decisão.
29/12/2025 – Ministro recua parcialmente e dá autonomia à PF para decidir sobre a necessidade da acareação.
30/12/2025 – Depoimentos e acareação ocorrem em clima de conflito entre PF e gabinete de Toffoli, com intervenção direta do ministro.
11/01/2026 – Revelada venda de participação milionária de irmãos de Toffoli em resort a fundo ligado a investigados do caso.
14/01/2026 – Toffoli autoriza segunda fase da Operação Compliance Zero, com prisões e buscas. Inicialmente manda lacrar provas apreendidas, depois recua.
15/01/2026 – Novo recuo: PF é autorizada a periciar o material, com peritos escolhidos pelo ministro.
16/01/2026 – Reportagem aponta que cunhado de Vorcaro controlava fundos que compraram a fatia dos irmãos de Toffoli no resort. Depoimentos são remarcados por decisão do ministro.
19/01/2026 – CPI do INSS pede devolução de dados retirados por Toffoli. PGR acumula representações pedindo suspeição do ministro.
20/01/2026 – Presidente do STF, Edson Fachin, antecipa retorno a Brasília para conter desgaste institucional.
21/01/2026 – Cunhada de Toffoli diz desconhecer vínculo do marido com resort ligado ao caso.
22/01/2026 – Gonet arquiva pedido de suspeição; oposição prepara novo. Há protesto contra Toffoli em São Paulo. Fachin divulga nota defendendo o ministro. Reportagem revela uso frequente de resort por seguranças do STF.
23/01/2026 – Procurador de Contas aponta desvio de finalidade em contrato de R$ 200 milhões validado por decisão de Toffoli. Caso já soma seis representações contra o ministro. No mesmo dia, surge informação de que irmãos de Toffoli foram sócios de um segundo resort da rede Tayayá.
Com informações de Estadão Conteúdo




