A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) informou, nesta sexta-feira (23), que está investigando cinco surtos de ciguatera no estado. Segundo a pasta, os episódios seguem em fase de investigação epidemiológica e atingiram 36 pessoas. Datas e locais das ocorrências não foram divulgados.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar provocada pelo consumo de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas, comuns em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas podem variar de enjoo a alterações neurológicas, e não existe tratamento específico para a condição.
De acordo com as autoridades sanitárias, é considerado surto quando mais de duas pessoas apresentam sintomas após um mesmo episódio de possível contaminação. Ainda neste mês de janeiro, um caso já havia sido investigado no município de Touros.
Monitoramento e histórico
A Sesap destaca que o primeiro surto registrado no RN ocorreu em 2022. Desde então, foram 77 casos notificados, entre surtos confirmados e episódios ainda sob apuração, o que, segundo a secretaria, indica a circulação da ciguatera no estado.
Entre fevereiro e maio do ano passado, foram registrados três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo dos peixes arabaiana, bicuda e dourado. O episódio inicial, em 2022, atingiu dez pessoas de uma mesma família, após a ingestão da bicuda (barracuda).
Desde então, houve registros envolvendo diversas espécies, com destaque para bicuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras.
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Recomendação oficial
Diante das novas investigações, a Sesap recomendou o não consumo do peixe arabaiana.
“Isso se deve à toxina que esse peixe acumula ao longo do tempo”, explicou a coordenadora de Vigilância em Saúde do RN, Diana Rêgo, que também ressaltou o monitoramento contínuo das áreas litorâneas.
A secretaria informou ainda que emitiu uma nota técnica para orientar profissionais de saúde, pescadores, comerciantes, serviços de alimentação e a população em geral sobre prevenção e identificação de possíveis casos.
Como ocorre a intoxicação
As ciguatoxinas são produzidas por microalgas invisíveis a olho nu. Peixes menores ingerem essas algas e, posteriormente, peixes maiores e carnívoros acumulam a toxina. Ao consumir esses pescados, o ser humano pode desenvolver a intoxicação.
A Sesap reforça que as toxinas são incolores, inodoras e insípidas, e não são eliminadas por cozimento, congelamento, salga ou defumação. As maiores concentrações costumam estar na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Principais sintomas
Os sinais costumam surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo e incluem:
dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca.
Os sintomas podem persistir por semanas ou meses.
Orientações à população
A Sesap recomenda:
- procurar atendimento de saúde imediatamente ao apresentar sintomas, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
- identificar a espécie consumida e guardar sobras do peixe congeladas para análise da Vigilância Sanitária;
- evitar o consumo de peixes associados a relatos de ciguatera, especialmente os de procedência desconhecida.
Em caso de dúvidas, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) funciona em plantão 24 horas pelos telefones 0800 281 7005 ou WhatsApp (84) 98883-9155.




