Foto: Carlos Moura/SCO/STF
A cúpula da Polícia Federal discute, junto à Advocacia-Geral da União (AGU), a possibilidade de recorrer da nova decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no âmbito da investigação contra o Banco Master. O magistrado determinou que peritos específicos, escolhidos por ele, sejam responsáveis pela análise do material apreendido na segunda fase da operação.
Internamente, a avaliação na PF é de forte incômodo com a medida, classificada como incomum e arbitrária. Investigadores apontam que a escolha de peritos sem vínculo com a apuração compromete a eficiência do trabalho, especialmente diante do grande volume de dados reunidos ao longo de meses de investigação.
Embora não haja questionamento quanto à capacidade técnica dos profissionais indicados, delegados e peritos avaliam que a ausência de familiaridade com o caso tende a atrasar significativamente o andamento das análises. O entendimento majoritário é de que a perícia integra uma carreira própria da Polícia Federal, cabendo à instituição definir quais servidores atuarão em cada investigação.
Outro ponto que causou desconforto foi a forma como a decisão chegou ao conhecimento da corporação. Integrantes da PF relataram terem tomado ciência da nova determinação por meio da imprensa. A ordem foi a terceira mudança promovida por Toffoli em menos de 24 horas sobre o destino do material apreendido.
Inicialmente, o ministro determinou que os documentos e equipamentos ficassem sob custódia direta de seu gabinete. Em seguida, autorizou o envio do material à Procuradoria-Geral da República (PGR). Por fim, definiu que a análise ficaria sob responsabilidade de peritos por ele designados.
Para integrantes da Polícia Federal, a sucessão de decisões reforça a percepção de interferência indevida na condução da investigação, o que pode abrir um novo embate institucional envolvendo o STF, a PF e a AGU nos próximos dias.
Com informações da CNN




