Zema nega ser vice de Flávio Bolsonaro e mantém candidatura à presidência: ‘vou até o final’

FOTO: RODNEY COSTA

O governador Romeu Zema (Novo) negou, nesta segunda-feira (12/1), uma eventual composição para ser candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao rechaçar a possibilidade, o chefe do Executivo mineiro reafirmou a candidatura ao Palácio do Planalto, que está sendo pavimentada desde agosto de 2025.

Zema falou sobre o assunto durante agenda em que anunciou investimentos da ordem de R$ 4,3 milhões à Polícia Civil de Minas Gerais na manhã desta segunda-feira. “Eu sou pré-candidato, como já aconteceu o lançamento no ano passado e continuo com a pré-candidatura e irei até o final”, disse o governador ao ser questionado pela imprensa.

É a primeira vez que Zema fala sobre o assunto, desde que começaram a surgir notícias de uma eventual composição com Flávio Bolsonaro. De acordo com pessoas ligadas à pré-campanha do governador à presidência, a articulação para que os dois estejam lado a lado em uma chapa está sendo liderada pelo senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. que defende a unificação de nomes à direita para barrar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros partidos e figurões da política nacional que se colocam em oposição ao petista também têm tido aderência à ideia.

O parlamentar, ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já chegou a falar publicamente sobre a possibilidade em entrevista ao jornal O GLOBO. “O melhor vice é o Zema, na minha opinião. A eleição vai ser decidida pelo Sudeste, que é o eleitorado que muda de voto”, disse. Pessoas ligadas a Zema e à executiva do Novo, porém, reforçam que não houve nenhum contato formal para tratar de uma eventual candidatura do governador de Minas como vice de Flávio.

Nos bastidores, a leitura é de que Zema, inclusive, deixa caminho aberto para uma eventual aliança no segundo turno das eleições – caso o pleito se desenrole para esta configuração. Todavia, ao manter a candidatura, o governador de Minas tem citado a interlocutores uma conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda em 2025, em que o líder do PL o encorajou nos planos de candidatura à presidência e negou haver prejuízos em se ter mais de um candidato da direita na corrida ao Planalto.

Em dezembro, o vice-governador Mateus Simões (PSD), colocado por Zema na linha de sucessão em Minas, tratou a situação com baixas possibilidades. “Nós temos clareza de quatro nomes colocados como candidatos à presidência pela direita no Brasil: o governador Romeu Zema, o governador Ratinho, o governador Caiado e Flávio Bolsonaro. Eu acho que é um cenário em que talvez haja uma unificação, mas nesse momento, me parece lógico que o governador Romeu Zema leve até o final a sua candidatura como candidato à presidência da República. É o governador do segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com um governo que possui mais de 65% de aprovação, não vejo neste momento ainda um motivo de unificação”, avaliou.

Adversários, mas do mesmo lado

Apesar das negativas iniciais de Zema e seus pares, nos arredores do governador há quem acredite que o cenário ainda pode mudar até o início do período de convenções partidárias e registros de candidaturas, entre julho e agosto. O próprio governador tem evitado tratar Flávio Bolsonaro como um opositor no pleito de 2026.

“Quando anunciei minha Pré-candidatura ao presidente Jair Bolsonaro ele foi claro: múltiplas candidaturas no primeiro turno ajudam a somar forças no segundo. Então, faz todo sentido o Flávio apresentar seu nome à Presidência. É justo e democrático. O foco da direita em 2026 é tirar o PT do poder. Contem comigo até o fim pra isso”, disse, nas redes sociais, no início de dezembro.

Pré-campanha

Em meio aos boatos sobre o futuro da candidatura à presidência, Zema mantém os acenos ao eleitorado para se projetar no cenário nacional. Nesse domingo, o governador usou as redes sociais para fazer uma analogia entre a limpeza de um quintal e as eleições de 2026.

Zema afirmou que o ano é para “dar destino para as frutas podres” ao publicar um vídeo limpando o quintal da casa em que mora, em Belo Horizonte. No material, ele também fez uma comparação indireta à prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos no início do ano.

“Mês de janeiro é o mês que a mangueira fica mais carregada aqui, de fruta, mas essa aqui, ó, caiu já de maduro”, disse Zema, momento em que o rosto do ditador aparece no vídeo. “E tem de fazer uma limpeza, porque se não fizer vem jacu aqui, vem uma mosquitada enorme, só faz sujeira”, continua. “Espero que em 2026 o Brasil também faça essa limpeza, porque se a gente não limpar agora, vai ficar cada vez pior.”

Romeu Zema lançou a pré-candidatura à presidência em agosto do ano passado, durante evento do Partido Novo em São Paulo. O governador de Minas busca se apresentar como um candidato da direita para o pleito de 2026. Ele deve deixar o cargo no Executivo mineiro até o final de março, às vésperas do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral para a desincompatibilização.

Deu no O Tempo

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