A Polícia Federal deparou-se com menções a um dos filhos do presidente Lula (PT) ao investigar fraudes bilionárias a aposentadorias e pensões do INSS. No inquérito, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, é citado em diálogos de WhatsApp, anotações, passagens aéreas e em depoimento de uma testemunha que menciona pagamento de 25 milhões ao filho do presidente, sem especificar em qual moeda, além de mesada de R$ 300 mil.
As menções levaram a PF a informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigará a se Lulinha é o não um “sócio oculto” do acusado de liderar o esquema de descontos criminosos nos benefícios do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
As informações reveladas pelo Estadão detalham que a PF relatou ao STF citações a Lulinha no depoimento do empresário Edson Claro; em celulares apreendidos durante as investigações, e em passagens aéreas localizadas pela corporação.
Outro detalhe aponta a empresária Roberta Luchsinger como suspeita de intermediar a relação de Lulinha com Careca do INSS. Ela firmou contrato de consultoria que lhe rendeu R$ 1,5 milhão repassados pelo acusado de liderar o esquema criminoso.
As menções
O jornalista Aguirre Talento relatou que, em 29 de outubro do ano passado, Edson Claro disse em depoimento que teria ouvido de Careca do INSS que Lulinha também seria seu sócio em sua empresa do setor da cannabis medicinal. Além disso, disse que o acusado de liderar o esquema detalhou pagamentos de R$ 25 milhões ao filho do ex-presidente.
“Antônio afirmou diversas vezes que ‘Fábio Lula’ era seu sócio nesse projeto, e que participou de cerca de três reuniões sobre o tema. Antônio [Careca] comentou ter enviado dinheiro a Fábio Lula, mencionando um valor aproximado de 25 milhões, sem especificar se em reais, euros ou dólares, e que tais recursos seriam provenientes da comercialização de kits de dengue. Antônio também teria dito ter antecipado valores a Fábio, inclusive pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, referidos como uma espécie de ‘mesada’”, disse Edson Claro, em depoimento.
Um desses pagamentos é identificado em printe de mensagem do Careca do INSS, via WhatsApp, como destinado ao “filho do rapaz”. O que levou a PF a supor ser uma menção a Lulinha.
Em outro diálogo, após a Operação Sem Desconto deflagrada em abril de 2025, a empresária Roberta alerta a Careca que um envelope com o nome do “nosso amigo” foi recolhido em busca e apreensão. Ela cita “envelope ingresso para show”. E a PF apreendeu anotação à mão que tratava de ingressos para camarote, indicando a intenção de ocultar que um dos destinatários seria Lulinha: “Mínimas informações possíveis. CPF – Fábio (filho Lula)”, era o manuscrito publicado pelo Estadão.
A PF ainda encontrou diversas passagens aéreas de Roberta e Lulinha, compradas em conjunto com o mesmo código localizador. Mas ainda não foi identificado quem bancou viagens como entre São Paulo para Brasília, em 2025, e outra de São Paulo a Lisboa, capital portuguesa onde seriam expandidos os negócios da canabis medicinal de Careca do INSS.
‘Sem vínculos diretos’
A PF pondera, ao afirmar que, até o momento, não foram há indícios da participação direta de Lulinha nos fatos investigados. E a defesa de Roberta Luchsinger ressaltou ao Estadão que tem relação pessoal, há anos, com Lulinha e sua família, e que, por isso, já foi alvo de ataques anteriores. Além disso, alegou que a empresária atuou em tratativas iniciais que não prosperaram, na área da regulação do setor de empresas de canabidiol.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, tratou as informações como ilação corriqueira, diante da qual o filho do presidente estaria “absolutamente tranquilo e acostumado”. E destacou que Lulinha reforça não ter relação direta ou indireta com o INSS. “Isso é mais uma vilania, mais uma tentativa de desgastar o governo”, afirmou o advogado, ao Estadão.




