O reajuste das alíquotas do ICMS sobre a gasolina, diesel e gás de cozinha a partir deste mês deve gerar aumento nos custos logísticos das principais cadeias produtivas do Rio Grande do Norte e pesar no bolso do consumidor final. De acordo com economistas e entidades ouvidas pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, além do valor pago pelos combustíveis nos postos, o reajuste pode se estender sobre a indústria, comércio e serviços, além de influenciar no preço dos alimentos da cesta básica.
Os novos valores para as alíquotas são de R$ 1,57/L para a gasolina, R$ 1,17/L para o diesel e R$ 1,47/kg para o GLP (gás de cozinha). O reajuste foi definido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) por meio dos Convênios ICMS 112/2025 e ICMS 113/2025 e entraram em vigor no último dia 1º. O maior aumento foi na gasolina, com 6,8% em relação ao preço de 2025; já no gás de cozinha, foi de 5,7%; e no diesel, de 4,4%.
Embora o aumento do imposto sobre a gasolina, etanol e GLP seja sempre associado às distribuidoras, postos e a demanda da população, o reajuste também interfere na logística de outros segmentos. Segundo o economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no entanto, o efeito de transmissão se estabiliza e os impactos precisam considerar os aspectos individuais de cada mercado. Em setores mais elásticos, o reajuste será absorvido pela cadeia; nos inelásticos, os valores serão repassados para os consumidores finais.
“No caso de um vendedor de morango, que é uma fruta altamente elástica, por exemplo, quando o preço sobe um pouquinho, as pessoas deixam de consumir e não compram mais, porque não sentem falta na sua cesta de consumo. Então, caso o revendedor de morango repasse esse custo logístico para o consumidor final, isso inviabiliza o consumo”, explica.
Uma perspectiva semelhante é repercutida pelo economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN). Ele aponta que o aumento de custos no transporte rodoviário pode pressionar os preços, a logística e os fretes. “Os alimentos estão em baixa no momento, graças à supersafra, mas outros serviços podem ser afetados, já que não têm o benefício da supersafra”, destaca.
O presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Mikelyson Gois, aponta que a atualização da alíquota do ICMS sobre combustíveis representa um desafio adicional para a logística e a gestão de custos dos supermercados no Estado. Uma das preocupações é que o reajuste seja refletido em preços mais altos para o consumidor e influenciem a inflação dos itens da cesta básica.
“Embora o impacto final sobre os preços dos alimentos dependa de uma série de fatores, a tendência é que aumentos nos custos de transporte puxem parte dos preços ao consumidor para cima — num contexto econômico já sensível para famílias e pequenos negócios”, aponta o presidente.
Nos setores de comércio, turismo, bens e serviços, o impacto da nova alíquota poderá ser sentido pelas distribuidoras e atacadistas, pelos transfers de turistas, serviços de delivery e na renda familiar da população. É o que aponta o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio/RN), Marcelo Queiroz. “Em relação a repassar o custo maior para os preços, isso vai depender do peso do transporte em cada atividade econômica, bem como das margens de cada negócio”, ressalta.
O presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, compartilha que a mudança no imposto eleva diretamente os custos nos setores de transporte e logística, indústria de transformação, agronegócio, construção civil e serviços intensivos em deslocamento, além de atividades com alta demanda do diesel e GLP como insumo. O resultado é a redução da competitividade e geração de repasses ao longo da cadeia produtiva.
“No caso da indústria de transformação, essa majoração contraria os objetivos do próprio programa do Governo Federal, o Nova Indústria Brasil, ao elevar custos justamente em um momento em que o mundo adota políticas de estímulo à neoindustrialização e à competitividade”, frisa Serquiz.
Deu na Tribuna do Norte




