O senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado Federal, afirmou nesta sexta-feira (28), em entrevista ao programa 12 em Ponto, da 98 FM Natal, que o Rio Grande do Norte atravessa uma situação fiscal “extremamente grave” e que o próximo governador — seja quem for — terá de adotar medidas rigorosas para evitar o colapso das contas públicas.
Marinho comentou o aumento acelerado das despesas com pessoal no Estado, o que deve comprimir ainda mais a capacidade de investimento da administração. “A folha de pagamento vai explodir no próximo ano. Você sai de R$ 900 milhões para R$ 1,3 bilhão. Estamos falando de quase 50% de acréscimo em quatro ou cinco meses”, afirmou.
Ele lembrou que, no ano passado, o RN encerrou o exercício com 77% da receita corrente líquida comprometida com folha, excluindo terceirizados, o que classificou como “insustentável”. “Isso exaure a capacidade do Estado de investir ou até mesmo de manter a máquina pública funcionando adequadamente”, disse.
Marinho defendeu que o governo seja transparente com a população sobre a dimensão da crise, sem populismos.
“O eleitor precisa saber qual é a realidade do Estado. Quem for governar o Rio Grande do Norte vai ter que tomar medidas duras, assertivas, que vão tirar muita gente da zona de conforto”, declarou.
O que faria se estivesse no lugar de Walter Alves
Questionado sobre quais medidas adotaria caso estivesse na posição do vice-governador Walter Alves, que deve assumir o comando do Estado em abril, após a renúncia da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado, Marinho disse que os ajustes teriam de ser imediatos e profundos. Mas ponderou que o curto período de gestão é um obstáculo.
Entre as medidas citadas pelo senador estão a revisão da folha de pessoal, um eventual Programa de Demissão Voluntária (PDV) e negociações com os demais poderes para garantir o cumprimento da Constituição Estadual no tocante aos limites de gasto. Ele mencionou ainda alternativas como a venda de ativos, incluindo a Caern, embora reconheça que a medida não teria tempo hábil para gerar alívio imediato nas contas.
“São nove meses. Ele precisaria fazer ajustes muito sérios na máquina pública, mas pagaria um preço político alto. Mesmo que venda a Caern, não há tempo para recepcionar essa receita e fazer o investimento necessário para reduzir o déficit crônico de manutenção”, afirmou.
Deu no Portal 98 FM




