O presidente do Senado, Davi Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantêm uma rotina de almoços semanais em Brasília. No encontro mais recente, os dois celebraram a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Há motivos para a celebração. A derrota de Flávio favoreceu os planos de Alcolumbre de permanecer no comando do Senado e reduziu a pressão por um eventual processo de impeachment contra Moraes, outrora dado como certo até para integrantes do STF.
Alcolumbre trabalha com uma estimativa de até 48 votos para continuar no comando do Senado. O senador considera ter um piso de 43 apoios, suficiente para superar os 41 votos necessários à eleição.
Para Moraes, a permanência de Alcolumbre na presidência do Senado tem importância particular. Cabe ao comando da Casa decidir sobre o encaminhamento inicial das representações por crime de responsabilidade apresentadas contra ministros do STF.
Alcolumbre tem resistido à abertura de processos contra integrantes do Supremo. A oposição, por sua vez, procura eleger um presidente disposto a examinar as representações e permitir o avanço das acusações.
A aproximação entre o senador e o ministro ocorre há meses. Em abril, a dupla se encontrou duas vezes na semana que antecedeu a votação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Um dos jantares ocorreu na residência de Moraes, na véspera da sabatina. A indicação acabou rejeitada pelo Senado, numa derrota para o governo Lula.
Em agosto, Moraes teve papel decisivo na reaproximação entre Alcolumbre e o presidente da República, que haviam rompido politicamente depois da rejeição do nome de Messias para a Corte. O ministro recebeu os dois em casa, em Brasília, para um jantar que também contou com a presença de Cristiano Zanin. O encontro abriu caminho para a retomada do diálogo entre o Planalto e o comando do Senado.
Com informações da Revista Oeste



