Mensagens da PF mostram que lobista comprou joias e deu presentes a ex-assessor de Lula

Arte / Metrópoles

Diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF) revelam que a lobista Roberta Luchsinger comprou joias com diamantes e deu mimos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-braço-direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma das conversas registradas pela investigação, em 29 de abril de 2024, Roberta e o ex-assessor tratam diretamente da aquisição de uma joia.

Investigada no âmbito da Operação Sem Desconto e em inquéritos abertos no último mês por corrupção e tráfico de influência, Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e mantinha relações de negócios com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — apontado como operador de um rombo bilionário na Previdência Social.

A PF suspeita que o fornecimento de joias, presentes e o pagamento de contas pessoais serviam como moeda de troca para ampliar o acesso e consolidar a influência da lobista no núcleo duro do Palácio do Planalto. Antes da descoberta das mensagens, já havia sido revelado pela imprensa que Roberta quitava boletos de Marcola. O ex-assessor, que despachava na antessala da Presidência e mantinha interlocução direta com ministros, alega ter tomado um empréstimo pessoal de R$ 249 mil com a investigada.

Até então, se sabia que Roberta tinha pagado boletos e contas pessoais de Marcola, conforme antecipou a colunista Andreza Matais, do Metrópoles. O ex-assessor alega que contraiu um empréstimo pessoal de R$ 249 mil junto à lobista. Agora, as mensagens revelam novos detalhes de como operava a amiga de Lulinha junto a um dos assessores mais próximos de Lula. Marcola despachava na antessala do presidente e fazia contato com ministros.

Um dos diálogos aconteceu em 29 de abril de 2024. Roberta Luchsinger e Marcola conversam sobre a compra de uma joia.


“Vou tentar desenhar na foto / para facilitar”, diz Marcola. Roberta responde: “Ela vai mandar mais fotos / Peraí”. O então assessor do presidente Lula diz: “ah ta bem / mas gostei dessas:” Não fica claro nas mensagens, contudo, quais joias Marcola indicou gostar. Logo em seguida, Roberta afirma: “Ela sugeriu um brilhante / Vai mandar”. A lobista então envia duas fotos: um par de solitários e um colar de diamantes. “boa”, agradece Marcola.

Entre os casos identificados pela Polícia Federal está o do Careca do INSS, que repassou ao menos R$ 1,5 milhão para a lobista. Em uma das transferências, Antonio Carlos afirmou a um interlocutor que o montante era destinado ao “filho do rapaz”, em provável referência a Lulinha. O empresário buscava vender canabidiol em larga escala ao Ministério da Saúde, plano que acabou frustrado pela operação policial.

Outro contrato sob suspeita envolve o empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda. A PF mapeou um repasse de R$ 150 mil feito por ele a Roberta e identificou que, no mesmo período, a empresa obteve contratos com o governo federal que superam R$ 80 milhões.

Procurado pela reportagem, o advogado Roberto Podval, responsável pela defesa de Roberta Luchsinger, declarou que não irá se manifestar em razão do sigilo das investigações. A coluna também tenta contato com a defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro.

Com informações do Metrópoles

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