Reprodução / PF
O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, descrito em investigação da Polícia Federal (PF) como amigo de dois suspeitos de operar movimentações financeiras para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuou como chefe da assessoria militar da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).
De acordo com publicações de gratificações no Diário Oficial do Estado, Pereira Martins ocupou a função pelo menos entre outubro de 2014 e dezembro de 2016, período que engloba as gestões do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de seu sucessor, Mágino Alves Barbosa, à frente da pasta.
Atualmente, Barbosa atua como advogado no escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes. Segundo ele, o coronel foi designado para a função na gestão de Fernando Grella, que assumiu a SSP em 2012, e permaneceu à frente da assessoria militar da pasta até 2016.
A Assessoria Policial Militar tem como atribuição realizar a segurança física do prédio da SSP e “garantir a proteção pessoal do titular da secretaria” quando determinado, além de atuar como um assessor direto do secretário em assuntos relacionados à Polícia Militar.
Investigação da PF
A PF identificou conversas entre o coronel e os operadores Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins datadas até novembro de 2023. Em uma delas, Pereira Martins convidou Cléber para sair com “amigos da minha turma de coronéis”.
O relatório define o oficial como “grande amigo” da dupla, presa em 21 de julho em operação do Ministério Público de São Paulo, e afirma que ele “parece abrir portas na corporação PMESP para Cléber e o grupo”. Embora citado, Pereira Martins não foi preso e também não está entre os acusados de integrar o núcleo financeiro.
A análise foi baseada em mensagens, áudios, fotografias e documentos extraídos de celulares apreendidos com os operadores. O relatório também examinou a hipótese de pagamentos a oficiais da PM, mas informou não haver elementos suficientes para confirmá-la quando o documento foi concluído, em novembro de 2024.
Segundo o documento, o coronel da reserva também aparece em mensagens tratando do uso das colônias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), entidade na qual é diretor.
Em nota, a AOPM afirma que o coronel “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas” e que os fatos apontados demonstram que o Coronel Pereira “mantinha relações sociais e de amizade com pessoas num período em que sobre elas não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o coronel da reserva está na inatividade desde abril de 2019 e não exerce funções na Polícia Militar. “A SSP não compactua com desvios de conduta. Eventuais responsabilidades serão apuradas com rigor, observados o devido processo legal e a autonomia das investigações”, disse a pasta.



