Por que Alexandre de Moraes teria se aliado a Alcolumbre para derrotar Messias

Esta é a pergunta que circula nos bastidores mais reservados de Brasília — e a resposta envolve poder, vaidade e autopreservação.

A relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o advogado-geral da União Jorge Messias sempre foi marcada por tensão institucional. Messias, como AGU, foi o braço jurídico do governo nas ações que sustentaram prisões e condenações do 8 de Janeiro. Mas ao longo do processo, acumulou atrito com o próprio Moraes por disputas sobre protagonismo e limites de competência.

A chegada de Messias ao STF representaria, na prática, a entrada de alguém alinhado diretamente a Lula na Corte — e não necessariamente alguém alinhado a Moraes. Com um histórico de centralizar poder, Moraes teria calculado que um ministro com lealdade primária ao Planalto poderia, no futuro, questionar procedimentos que hoje são conduzidos com pouca resistência interna no tribunal.

 

Há ainda a dimensão pessoal. Fontes no Senado relatam que Moraes teria sinalizado, por canais indiretos, que não via com bons olhos a indicação — um aceno que, na linguagem de Brasília, equivale a uma autorização para votar contra. Para Alcolumbre, que já tinha suas próprias razões para barrar Messias, o sinal de Moraes teria sido o elemento final que deu segurança para não se empenhar pela aprovação.

É importante ressaltar: não há prova pública de uma articulação direta entre Moraes e Alcolumbre. Mas a convergência de interesses é evidente. Moraes preserva seu espaço no STF. Alcolumbre fortalece sua posição no Senado. E Lula paga a conta.

Blog do Gustavo Negreiros

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