Foto: Alberto Pizzoli e Brenda Smialowski/AFP
O Papa Leão XIV disse no sábado que lamenta que suas declarações tenham sido interpretadas como uma resposta às críticas do presidente Donald Trump, e insistiu que não tinha nenhum interesse em debater com o mandatário estadunidense.
O pontífice deu como exemplo um discurso sobre os “tiranos” que assolam o mundo, proferido na última quinta-feira em Camarões, durante a segunda etapa de sua viagem pela África.
As declarações tinham sido redigidas muito antes do “comentário de Trump sobre a minha pessoa e sobre a mensagem de paz que promovo“, afirmou aos jornalistas enquanto se dirigia a Angola. “E, no entanto, foi percebido como se eu estivesse tentando iniciar um novo debate com o presidente, algo que não me interessa de forma alguma“, destacou Leão XIV.
— Grande parte do que foi escrito desde então foram mais comentários sobre comentários que tentam interpretar o que foi dito — assinalou.
O Papa tinha criticado duramente na quinta-feira os “tiranos” que devastam o mundo durante uma visita à cidade de Bamenda, no noroeste de Camarões, epicentro de uma insurgência separatista angófona que já dura quase uma década e que causou milhares de mortes.
Os meios de comunicação estadunidenses, em particular, interpretaram essas declarações como uma referência a Trump. Mas foram escritas muito antes das críticas de Trump, disse Leão XIV. “Houve uma certa narrativa que não foi precisa em todos os seus aspectos”, acrescentou.
Trump declarou em 12 de abril que não era um “grande seguidor do Papa Leão“, acusando-o de “brincar com um país (Irã) que quer uma arma nuclear“. O mandatário republicano classificou posteriormente o Papa de “fraco” e “terrível para a política externa”.
O Globo




