Banco Central analisará todas as opções do BRB, mas não descarta que tenha o mesmo destino do Master

 O Banco Central não pretende tomar decisões extremas com o Banco de Brasília (BRB) antes de esgotar todas as alternativas para tentar reequilibrar a instituição. Seguirá, portanto, a cartilha da supervisão financeira, o mesmo rito que já seguiu com o Master, o que também significa que o risco de liquidação ou de intervenção existe de fato.

Isso quer dizer que a necessidade de aporte pelo governo do Distrito Federal (GDF) no BRB é urgente, já que as crises de confiança bancária não costumam esperar o tempo da política e da Justiça. O BRB, como se sabe, está com um buraco em seu balanço por ter comprado bilhões em carteiras de crédito podre do Master.

O que é certo é que o BRB não vai entregar o seu balanço pelo segundo trimestre consecutivo nesta terça-feira, 31, e as conversas com a cúpula do Banco Central só vão acontecer a partir desta quarta, depois de esgotado o prazo.

Tecnicamente, bancos com patrimônio negativo não podem continuar existindo, porque colocam em risco a segurança do sistema financeiro e dos clientes que depositaram na instituição as suas economias e os seus investimentos. Confiança é palavra-chave no negócio bancário, porque os bancos operam “alavancados”, fazem apostas num montante muito maior do que têm em depósitos, acreditando que eles não serão sacados ao mesmo tempo.

Por isso, há regras rígidas a serem cumpridas por todas as instituições bancárias do País, e elas não serão flexibilizadas só porque o BRB é um banco público e conta com a simpatia de políticos em Brasília. O espaço para negociações é reduzido nesses casos.

Na Faria Lima, a percepção é que o BC está “empoderado” depois da liquidação do Master e de ter suportado a pressão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). O relatório técnico do TCU, que validou as ações do BC, aumentou essa percepção entre os bancos. Ninguém, nem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), vai emprestar dinheiro ao BRB por caridade ou por pressões políticas.

Do governo federal, também não há sinalização para que o Banco Central alivie para o BRB. Pelo contrário, a percepção da cúpula petista é que a crise do BRB está associada ao agora ex-governador Ibaneis Rocha – que deixou o cargo para concorrer ao Senado -, um político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O mesmo vale para a governadora Celina Leão, que assumiu nesta semana. Do ponto de vista do governo Lula, caberá ao GDF encontrar uma solução e ao BC decidir de acordo com as suas regras.

Na visão da nova diretoria do BRB, por sua vez, há um esforço para tentar resolver o problema, e já existe um plano de aporte na instituição em andamento. Ele não andou na velocidade que se esperava por conta de entraves jurídicos em vários ativos do GDF que seriam negociados e por conta de decisões liminares na Justiça. O banco, dessa forma, tentará ganhar tempo com o Banco Central antes de sofrer penalidades mais severas.

A diretoria argumenta que já houve outros atrasos de balanços, e que todas as obrigações do banco têm sido cumpridas até o momento. Apresentar os números nesta terça, com o patrimônio negativo, teria um efeito brutal sobre a confiança. Por isso, o objetivo é só divulgar os dados com o aporte do GDF aprovado. A Assembleia Geral Extraordinária, que foi cancelada após as liminares na Justiça, também será remarcada, com um novo prazo.

Em resumo: o BRB tenta ganhar tempo, o Banco Central alega que já analisa o banco desde a proposta de compra do Master, que completou um ano. O GDF não demonstra capacidade para socorrer a instituição, e o governo federal quer distância da crise.

Deu no Estadão

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