Segundo a jornalista Malu Gaspar, Daniel Vorcaro pode, sim, firmar um acordo de delação premiada mesmo sendo apontado como o chefe do esquema criminoso investigado. De acordo com ela, o fato de ocupar uma posição de liderança não impede a delação, mas tende a reduzir o tamanho dos benefícios que poderiam ser concedidos em eventual negociação com as autoridades.
A jornalista afirma que, nesses casos, a diferença central está nas vantagens oferecidas ao colaborador, que podem ser mais limitadas justamente pela gravidade do papel atribuído ao investigado. Ainda assim, Malu Gaspar sustenta que o instrumento continua disponível, desde que haja interesse da acusação e que as informações entregues tenham utilidade para a apuração.
Na avaliação da colunista, um dos elementos que poderia empurrar Vorcaro para essa saída seria um traço de comportamento: a falta de paciência. Segundo Malu, a impaciência do investigado seria um fator que ajudaria a explicar a disposição de buscar o benefício e encurtar o caminho para uma solução negociada.
O comentário integra a análise da jornalista, que acompanha os desdobramentos do caso e o impacto político e institucional das investigações. Procurados, defesa e autoridades responsáveis pela apuração não se manifestaram nesta versão do texto.
Blog do Gustavo Negreiros




