PF revela diálogos sobre fraudes contábeis em fundos ligados ao Master

Novas evidências obtidas pela Polícia Federal (PF) detalham o funcionamento de um suposto esquema de fraude em balanços de fundos de investimento ligados ao Banco Master. De acordo com informações divulgadas pelo portal UOL, mensagens interceptadas revelam que operadores da instituição realizavam manobras contábeis e reestruturações societárias estratégicas para conferir aparência de legitimidade a movimentações financeiras atípicas. O teor das conversas sugere que o grupo agia para dificultar o rastreamento de valores e omitir os reais beneficiários das transações.

O material colhido pelos investigadores serviu de base para a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero. A ação resultou em diligências de busca contra o banqueiro Daniel Vorcaro e na detenção de seu cunhado, Fabiano Zettel. Os diálogos expõem a coordenação entre Ascendino Madureira, apontado como operador de Vorcaro, e Artur Martins de Figueiredo, que ocupava a diretoria da gestora Trustee. Segundo a PF, Madureira exercia uma função técnica determinante, transmitindo orientações diretas do proprietário do banco para as entidades responsáveis pela administração dos fundos.

Em um episódio classificado como revelador pelas autoridades, Madureira reagiu aos detalhes de uma estrutura de fundos enviando uma figurinha do ator Leonardo DiCaprio no filme O Lobo de Wall Street. Para os investigadores, a utilização do meme sinaliza um deboche sarcástico sobre a natureza ilícita da engenharia financeira empregada,  já que a obra trata de um personagem que ficou rico manipulando o mercado financeiro. O objetivo central seria criar camadas de complexidade que impedissem a fiscalização e a identificação da origem dos recursos.

A investigação também aponta indícios de manipulação direta em registros contábeis para elevar artificialmente o patrimônio do Banco Master. Em áudios analisados, Ascendino Madureira teria solicitado intervenções junto a auditores para evitar que dados dos exercícios de 2023 e 2024 apresentassem variações negativas, alegando que os resultados da instituição não poderiam ser prejudicados. O inquérito sugere que ativos, como propriedades imobiliárias e direitos creditórios, eram registrados com valores consideravelmente superiores aos de mercado.

Essa superavaliação permitia que o banco demonstrasse uma solidez inexistente, possibilitando a emissão de mais Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para atrair investidores.

Em resposta às acusações, as defesas dos citados negam qualquer conduta irregular. O representante jurídico de Ascendino Madureira declarou que as mensagens interceptadas referem-se estritamente a debates técnicos sobre revisões de avaliação patrimonial amparadas por laudos de especialistas, definindo a prática como rotineira no setor financeiro. Já as assessorias de Daniel Vorcaro e Artur Martins de Figueiredo optaram por não comentar o conteúdo das conversas obtidas pela Polícia Federal.

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