OPINIÃO : Partido Novo – Liderar além do complexo de crabs

Por Renato Cunha Lima

O difícil, às vezes, não é enfrentar o adversário. É enfrentar os próprios aliados, ou aquilo que deveriam ser.

Assumir a presidência estadual de um partido de direita no Rio Grande do Norte é, antes de tudo, aceitar viver num ambiente onde o sucesso incomoda mais do que o fracasso. É o velho complexo de caranguejo. Quando um tenta subir, os outros puxam para baixo. Não por estratégia, mas por instinto. Não por visão, mas por medo…

E aí começa o dilema.

Como construir protagonismo com um partido pequeno? Como dar voz a uma sigla ainda sem musculatura eleitoral, sem grandes mandatos, sem a máquina que move a política tradicional? Como se posicionar quando, antes mesmo de falar, já tentam te encaixar como linha auxiliar de alguém maior?

É curioso. No momento em que você tenta existir, já querem te definir. No instante em que você tenta propor, já querem te limitar.

Mas liderar, nesse cenário, é justamente não aceitar esses rótulos prontos.

Minha trajetória à frente do Novo no Rio Grande do Norte tem sido esse exercício constante de equilibrar identidade com pragmatismo. Não cair na tentação da pureza estéril, mas também não se diluir na conveniência. Entender que política é a arte do possível, sem nunca perder de vista o necessário.

Porque falta ao nosso estado algo mais profundo do que alianças eleitorais. Falta uma ideia.

Falta a visão de um Rio Grande do Norte que trabalha, que produz, que valoriza quem empreende, que respeita quem acorda cedo sem pedir nada ao poder público além de não ser atrapalhado. Existe uma multidão silenciosa que não milita, não grita, não ocupa redes com radicalismos, mas sente, todos os dias, o peso de um estado caro, ineficiente e, muitas vezes, hostil.

É por essas pessoas que vale insistir.

E insistir, aqui, não é simples. Porque também há outro desafio, construir uma direita que vá além do bolsonarismo sem necessariamente se opor a ele. Parece contraditório, mas não é. É maturidade política. É entender que há espaço para ampliar, para sofisticar o debate, para sair do campo exclusivo das pautas reativas e avançar para propostas estruturantes.

A direita pode e deve falar de ambiente de negócios, de eficiência estatal, de liberdade econômica, de oportunidades reais nos municípios. Pode olhar para o interior e enxergar potencial, não apenas carência. Pode discutir futuro sem abandonar princípios.

Mas, para isso, precisa querer mais do que vencer eleições. Precisa querer mudar o estado.

O Novo, nesse contexto, não surge para dividir. Surge para acrescentar. Para tensionar o debate no bom sentido. Para dizer que dá para fazer diferente sem precisar destruir pontes. Para mostrar que coerência e resultado não são incompatíveis.

Talvez seja esse o maior desafio, ser firme sem ser inflexível. Crescer sem perder a essência. Dialogar sem se submeter.

E, principalmente, continuar subindo, mesmo quando insistem em puxar para baixo.

Porque, no fim, liderar no Rio Grande do Norte é isso. Seguir em frente, mesmo cercado de caranguejos, acreditando que, em algum momento, alguém vai olhar para cima e perceber que sair do lugar também é uma escolha.

Renato Cunha Lima é administrador e presidente estadual do Partido Novo

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