CGU aponta falhas no CNPq e risco de R$ 45 milhões em pagamentos indevidos de bolsas

Foto: Divulgação/MCTI

Um relatório da Controladoria-Geral da União identificou falhas na concessão de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico que podem gerar pagamentos indevidos de até R$ 45 milhões por ano.

A auditoria analisou mais de 175 mil concessões em 2024 e encontrou irregularidades como pagamentos a pessoas falecidas, servidores públicos, sócios de empresas e bolsistas sem comprovação de vínculo acadêmico.

Desde 2006 é vedado o recebimento simultâneo de bolsas. Mesmo assim, 2.710 bolsistas receberam benefícios de forma simultânea. Confira:

  • 571 receberam valores do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
  • 1.700 receberam pagamentos do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
  • 439 receberam bolsas do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais

Entre 2021 e 2025, 98 bolsistas mortos continuaram recebendo valores. Em alguns casos, os pagamentos superaram R$ 500 mil e se estenderam por anos.

Também foram identificados 1.289 sócios de empresas que receberam mais de R$ 8,7 milhões e 131 servidores públicos com R$ 557,2 mil em bolsas. Além disso, 2.710 beneficiários acumularam auxílios de diferentes órgãos, o que é proibido em regra.

Em 2024, o CNPq pagou mais de R$ 2,6 bilhões em bolsas para cerca de 174 mil beneficiários, com maior concentração na região Sudeste.

A CGU apontou falhas nos mecanismos de controle, destacando risco à credibilidade da instituição. Já o CNPq afirmou que as inconsistências atingem menos de 1,5% dos pagamentos e que está adotando medidas para aprimorar a fiscalização e recuperar valores indevidos.

Deixe um comentário

Rolar para cima