Foto: Wilton Júnior
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão preocupados com o que chamam de “desgaste natural” da imagem do petista. Apesar de buscar demonstrar vitalidade física aos 80 anos, o entorno do presidente lembra que ele disputa eleições presidenciais desde 1989, e que há um cansaço da população com a imagem de Lula.
Assessores próximos do petista afirmam que essa fadiga política se traduz nas pesquisas de popularidade e de intenção de votos. Agora, o desafio do presidente é aumentar os números de aprovação da gestão entre aqueles que consideram o governo Lula 3 ótimo ou bom.
Para isso, o governo aposta em viagens do presidente aos Estados para faturar com a inauguração de obras e etapas de programas, como nesta sexta-feira, 20, em Minas, quando participou da entrega de ônibus escolares. Lula corre contra o tempo em razão da legislação eleitoral, que só permite inaugurações até 4 de julho, três meses antes do pleito.
Planalto encara eleições de outubro como um plebiscito
O entendimento no Palácio do Planalto é de que a eleição de outubro funciona como um plebiscito, onde a população vai escolher se quer ou não mais um ciclo de Lula. Com isso, acreditam que qualquer candidato competitivo que concorresse já partiria de um patamar acima de 30%, ainda que não fosse da família Bolsonaro, devido ao desgaste da imagem de Lula.
Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na última terça-feira, 10, aponta que 33% dos brasileiros classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 40% o consideram ruim ou péssimo. A avaliação positiva corresponde à soma das menções de ótimo e bom, enquanto a negativa reúne as avaliações ruim e péssimo.
Com isso, como mostrou o Estadão, a sete meses da eleição presidencial, Lula chega à reta final do mandato com avaliação positiva abaixo do patamar registrado por governantes que conseguiram se reeleger ou eleger sucessores.
Tentativa de colar obras à popularidade de Lula
No Rio, a estratégia já está em curso. Além de terceiro maior colégio eleitoral do País, o Estado também é o berço político da família Bolsonaro, e onde Lula vai subir no palanque do prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo e favorito nas pesquisas.
O petista foi ao Rio por duas semanas seguidas este mês. No dia 6 de março, Lula entregou, ao lado de Paes, apartamentos populares de um conjunto habitacional em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Também inaugurou anel viário em Campo Grande, e anunciou a instalação do hub internacional no aeroporto Galeão.
Na sexta-feira, 13, foi novamente ao Rio, onde participou do anúncio de investimentos de R$ 300 milhões da BYD no Brasil e inaugurou setor de traumas de um hospital federal, em evento marcado por críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Lula também aproveitou para inaugurar obras em Minas Gerais na sexta-feira, 20. Ele foi a Betim e Sete Lagoas visitar uma refinaria, onde anunciou investimentos da Petrobras no Estado, e entregou ônibus escolares do programa Caminho da Escola, do governo federal. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do País, e Estado considerado o fiel da balança nas eleições.
Pautas populares de Lula ainda não decolaram
As grandes apostas populares de Lula para o ano eleitoral ainda não decolaram. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada em novembro, ainda não valerá na declaração deste ano.
A proposta do fim da escala trabalhista 6×1, outra prioridade do governo, enfrenta resistência e está travada na Câmara. E o projeto de tarifa zero para o transporte público, que estará no programa de governo de Lula na campanha à reeleição, sequer começou a ser debatido no Congresso.
Estadão Conteúdo




