Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-marqueteiro do PT, João Santana, fez críticas públicas ao envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Janja da Silva no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o petista no Carnaval do Rio. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Santana afirmou que a participação do casal pode gerar um “cenário de soma negativa”, com repercussão política desfavorável fora das bolhas simpáticas ao governo.
Para o publicitário, o principal risco não está em eventuais vaias durante o desfile, mas na reação do eleitorado em regiões estratégicas para Lula, como o interior de São Paulo, parte do Sudeste, do Sul e também entre o público evangélico. Santana questionou qual seria o ganho eleitoral real da exposição e alertou que o Carnaval historicamente costuma ser mais um ambiente de desgaste do que de construção de imagem política.
Responsável por campanhas vitoriosas do PT, como a de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, Santana disse que a relação entre política e folia sempre exigiu cautela. Segundo ele, grandes espetáculos carnavalescos tendem a favorecer a catarse coletiva e não o culto individual, o que, na avaliação do ex-marqueteiro, pode fazer o “tiro sair pela culatra” quando figuras públicas tentam se associar diretamente ao evento.
A escola Acadêmicos de Niterói apresentará o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A expectativa é que Janja desfile como destaque de um dos carros alegóricos, enquanto Lula deve acompanhar a apresentação de um camarote. Para Santana, mesmo que a ideia da homenagem tenha partido da escola de forma espontânea, a proximidade do presidente e da primeira-dama com o desfile transformou o episódio em um movimento politicamente arriscado.
Diante da repercussão, a Comissão de Ética Pública da Presidência divulgou orientações aos integrantes do governo para o Carnaval, incluindo a proibição de uso de diárias e passagens públicas e o cuidado para evitar manifestações que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral antecipada. Até o momento, ações da oposição contra o desfile foram rejeitadas pela Justiça.
Com informações da Gazeta do Povo




