[OPINIÃO] Por que Lula tem problema com os velhinhos?

Reajuste no Farmácia Popular: quando a conta não fecha, quem paga é o idoso.

A imagem divulgada anuncia “novos reajustes” no Programa Farmácia Popular como se fossem apenas números técnicos. Redução de 30% no repasse da fralda geriátrica e corte de 35% no valor pago por comprimido de medicamentos de uso contínuo, como a dapagliflozina. No papel, a narrativa fala em “estratégia” e “oportunidade”. No balcão da farmácia, a realidade é outra.

“E agora? Como vamos fazer? Vamos doar as fraldas para o governo?”

A pergunta, feita por um dono de farmácia popular, resume o abismo entre a propaganda oficial e a viabilidade econômica do programa. Não se trata de ajuste fino, eficiência ou gestão. Trata-se de inviabilidade concreta.

O valor pago hoje não cobre o custo real das fraldas, que envolvem logística pesada, estoque volumoso e inflação constante de insumos. Cortar 30% do repasse significa empurrar o prejuízo para quem está na ponta.

O mesmo ocorre quando o governo reduz o valor pago por comprimido a níveis inferiores ao custo operacional, tornando inviável manter medicamentos essenciais no programa.

Diante disso, é impossível não fazer uma pergunta incômoda. O presidente Lula, que também é idoso, tem algum problema com os idosos brasileiros? Porque depois do escândalo das fraudes no INSS, que atingiu aposentados e pensionistas, o governo agora avança sobre outro ponto básico da dignidade na velhice: o acesso à fralda geriátrica e a medicamentos de uso contínuo. Dificultar esse acesso não é detalhe técnico, é escolha política que atinge diretamente o vovô e a vovó mais pobres.

Quando o repasse se torna impraticável, a farmácia sai, o estoque some e o serviço desaparece. O discurso oficial fala em acesso, mas a prática cria escassez.

No Farmácia Popular, o problema não é comunicação. E matemática. E ela não fecha.

Por Renato Cunha Lima

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