Energia solar: RN tem 842 MW de potência instalada e 92 mil conexões

O Rio Grande do Norte atingiu a marca de 842 megawatts (MW) de potência instalada na geração própria de energia solar em março, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Segundo a associação, são mais de 92 mil conexões operacionais em telhados e pequenos terrenos em todas os 167 municípios do Estado. Os números indicam crescimento constante do setor que, desde 2012 atraiu mais de R$ 3,9 bilhões em investimentos e gerou mais de 25,7 mil empregos no RN.

Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), avalia que fatores como demanda e maturidade do mercado farão com que o crescimento seja mantido. As operações garantiram, desde 2012, arrecadação de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos do RN, que segue tendência nacional de crescimento: em todo o País, no mês passado, a chamada geração distribuída chegou a 5 milhões de imóveis, com 37,4 gigawatts (GW) de potência instalada.

Para efeito de comparação, em março do ano passado a Absolar registrava no Rio Grande do Norte 597 megawatts de potência instalada na geração própria. A expansão constante, de acordo com Williman Oliveira, está relacionada, dentre outros aspectos, às boas ofertas de crédito do mercado.

“Isso tem facilitado, uma vez que o cliente está substituindo praticamente a conta que teria de pagar a uma concessionária, porque compreendeu que pode gerar a própria energia, quer seja de casa, quer seja do negócio que ele administra. Outro ponto é a situação econômica do Brasil”, analisa Oliveira.

Para 2025, as perspectivas seguem otimistas, conforme avaliação do presidente da Aper. “O RN hoje tem ótimas empresas que podem atender à grande demanda do Estado, além de tecnologias que estão sendo inseridas para colaborar com a geração e o armazenamento de energia”, diz.

O economista e criador do Observatório da Energia Solar do RN, José Maria Vilar, pontua que os números sobre a energia fotovoltaica no Estado são significativos. “Para se ter uma ideia, os 842 MW de potência instalada são suficientes para atender cerca de 312 mil domicílios com conta mensal de energia elétrica em torno de R$ 200. O valor acumulado já investido também é muito significativo, principalmente se levarmos em conta que a grande maioria das empresas é de micro ou pequeno porte, distribuídas nas várias regiões do estado”, afirma.

As 92 mil conexões, segundo Vilar, representam em torno de 8% da quantidade de domicílios existentes no estado. Ele estima que, atualmente, o setor emprega 5 mil pessoas no Rio Grande do Norte. A exemplo do presidente da Aper, José Maria Vilar acredita que em 2025 o setor seguirá em expansão. “Acredito que, como tivemos um crescimento excepcional no ano de 2024, por questão de prudência devemos manter uma expectativa de repetição desse desempenho, o que significa algo em torno de 30 mil novas conexões”, projeta.

Também para 2025, o setor tem como demanda a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 624/2023, que institui o Programa Renda Básica Energética (REBE). Na visão de interlocutores, o PL resolve o problema das negativas de conexão feitas pelas distribuidoras sob alegação de inversão de fluxo de potência. “O projeto vai trazer segurança jurídica ao setor de energia renovável, uma vez que as concessionárias passarão a ter um pouco mais de responsabilidade no momento em que for prestar um parecer negativo”, comenta Williman Oliveira, da Aper.

“O PL é importante pela amplitude e finalidade, que é levar energia renovável para famílias de baixa renda, o que poderá representar uma grande economia no custo com energia elétrica para essa parcela. Com isso, pretende-se também estimular a indústria nacional voltada à produção de máquinas e equipamentos utilizados no setor, incentivando a indústria local ao mesmo tempo em que possibilita o crescimento de um mercado atendido predominantemente por micro, pequenas e médias empresas, contribuindo, ainda, para a continuidade do processo de transição energética do país”, diz José Maria Vilar.

Deu na Tribuna do Norte

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