As aspas do “Perdeu, Mané”. Por Renato Cunha Lima

Um erro da cabeleireira Débora foi de português, quando esqueceu as aspas e a autoria da frase que escreveu, com seu próprio batom, na estátua da deusa Têmis, que fica em frente ao STF.

O “Perdeu, Mané”, assim como as frases “eleição não se ganha, se toma” e “nós vencemos o bolsonarismo”, foi mais uma declaração descabida do atual presidente do STF, o ministro Luís Roberto Barroso.

Isso não seria um álibi em favor de Débora? Qual democracia admite que um ministro de uma suprema corte assuma uma posição política tão explícita, a ponto de confessar ter atuado para a derrota ou a vitória de alguém?

E não foi uma fala isolada. Em 2023, em Paris, no evento Esfera Brasil, o ministro Gilmar Mendes afirmou: “Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal. É preciso reconhecer isso.”

Também não podemos esquecer a frase “missão dada é missão cumprida”, dita pelo ministro Benedito Gonçalves ao ministro Alexandre de Moraes durante a cerimônia de diplomação de Lula no TSE.

Pergunto, indignado: esse judiciário que julga e condena, censura, persegue e prende não é tão ou mais culpado pelo padecimento de nossa moribunda democracia?

Débora agora está indo para casa, ainda presa, com tornozeleira eletrônica, impedida inclusive de conceder entrevistas, o que é outro absurdo. A injustiça continua, mesmo que sutilmente atenuada. Não podemos esquecer que ela passou dois anos presa sem julgamento, com Alexandre de Moraes negando todos os “habeas corpus”, sob o argumento de que ela seria, segundo ele, de alta periculosidade, e classificando seu batom como um produto inflamável de alto risco para a sociedade.

No mesmo embalo, ontem Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a um idoso com câncer terminal, algo que ele havia negado dias antes. E não podemos jamais esquecer de Clezão, que morreu nas dependências da Papuda, apesar de diversos pedidos de liberdade feitos por seus advogados e até pela PGR, em razão de seu estado de saúde.

Enfim, não foi por acaso a percepção de muitos ao assistir ao julgamento que aceitou a denúncia contra Bolsonaro e outros: os ministros pareceram atuar em autodefesa de seus próprios atos absurdos, enquanto os advogados assumiram o papel de acusadores. Talvez seja isso mesmo, um paradoxo em que, de fato, quem está sendo julgado e condenado, pelo juízo da opinião pública, é o confesso judiciário brasileiro.

Deixe um comentário

Rolar para cima
× Receba Novidades