Trade turístico e prefeitura discutem futuro do Complexo da Redinha

Prefeitura vai apresentar as perspectivas para o Complexo da Redinha ao trade turístico | Foto: ADRIANO ABREU

O setor de turismo vai discutir o futuro do Mercado e do Complexo da Redinha, que aguarda uma licitação para uma concessão à iniciativa privada. Na próxima segunda-feira (31) haverá uma reunião na sede da Associação Brasileira da Indústria de Hoteis (Abih-RN) com interlocutores da Prefeitura do Natal. Representantes do setor de turismo apontam que o equipamento, uma vez funcionando, pode ser uma ferramenta importante para a economia, mas divergem acerca de uma reabertura imediata.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae), Arthur Dutra, a reunião vai apresentar as perspectivas da Prefeitura para o Complexo da Redinha ao trade turístico potiguar. “Essa reunião será para apresentarmos ao trade turístico o Complexo, mostrar como vai funcionar e também tentar atrair o interesse de investidores locais para apresentarem os estudos”, explica.

Edmar Gadelha, presidente da Abih-RN, defende uma abertura planejada do equipamento turístico. Ele considera o fechamento necessário para o funcionamento pleno do mercado. “Esse equipamento turístico precisa ser muito bem planejado e ter a sua estruturação e funcionamento da maneira mais adequada possível, para que possamos oferecer um acolhimento que seja compatível com o que os turistas buscam e merecem. O fechamento é provisório e foi necessário para a conclusão e ajustes necessários para um funcionamento pleno e eficaz. Somos favoráveis a uma reabertura planejada”, defende Gadelha.

Mesmo pensamento tem o coordenador da Câmara de Turismo da Fecomercio-RN, George Costa, que defende a reabertura após a definição da concessão para iniciativa privada. “Acho que o importante é reabrir certo. O logo não é algo que me preocupa tanto. Já passou a alta estação, Carnaval, e o espaço não está concluído. Faltam obras para serem feitas e principalmente o plano de concessão”, explica.

Já o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo do RN (Sindetur-RN), Júnior Câmara, aponta que o mercado fechado é uma opção a menos para as empresas de receptivos e para os turistas que vão ao litoral norte. “É um espaço a menos, deixamos de oferecer algo. Para a gente, quanto mais produtos na prateleira, evidente que fica mais fácil de vender”, explica, acrescentando que haverá uma reunião entre o trade turístico para formalizar uma posição de como o setor pode auxiliar o Poder Público a concluir a licitação. A ideia é ver com a Prefeitura uma possibilidade de reabertura do mercado enquanto a licitação está em curso.

Com investimento de cerca de R$ 30 milhões, o Complexo está sendo alvo de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), com empresas podendo apresentar estudos e ideias de negócios para o empreendimento. Com o procedimento, a ideia da prefeitura é tentar viabilizar o Complexo da Redinha. O mecanismo visa reunir estudos técnicos e definir um modelo viável para a futura gestão do espaço. O prazo para que as empresas interessadas apresentem suas propostas é de 30 dias, e os estudos deverão ser concluídos em até 60 dias, totalizando 90 dias para definição do modelo de concessão. A expectativa é que o edital final de licitação seja lançado em até 120 dias. Os custos serão ressarcidos pela futura operadora do Mercado.

O presidente do Sindicato dos Bugueiros Profissionais do RN (Sindbuggy-RN), Hertz Medeiros, aponta que a revitalização do espaço foi importante para abrir uma nova rota para os passeios de buggy, que anteriormente não iam lá. O fechamento do mercado, no entanto, atrapalha um planejamento que estava em andamento para uma rota de buggies no litoral norte.

“Isso gera uma certa instabilidade. Para a gente é importante que o mercado seja revitalizado, que aquela área volte a funcionar, até porque há uma promessa de se fazer um centro de saída de passeio de buggy. As agências iriam levar as pessoas para lá, que embarcariam para os passeios, diminuindo o trânsito na Via Costeira”, cita.

A expectativa da Prefeitura e do setor turístico é que, após a conclusão do processo de concessão, o mercado funcione de maneira sustentável, como um polo gastronômico e turístico para moradores e visitantes. A publicação do PMI ocorreu após a primeira tentativa de concessão do complexo não atrair interessados. Nesse meio tempo, o Mercado da Redi nha chegou a ser aberto para um Festival Gastronômico e para o período do Carnaval, mas voltou a ser fechado para a organização do processo licitatório.


Ronaldo, permissionário, está impossibilitado de trabalhar | Foto: ADRIANO ABREU

Permissionários cobram reabertura

O Complexo Turístico da Redinha, que ocupa uma área de 16.580,60m², passou recentemente por um processo de revitalização que incluiu a reconstrução do Mercado da Redinha, pistas de acesso, iluminação, entre outras questões, com investimento total de cerca de R$ 30 milhões, incluindo novas estruturas para sete restaurantes, 33 boxes de venda e uma varanda panorâmica.

Permissionários e trabalhadores da Redinha cobram a reabertura do mercado, que desde a demolição até os dias atuais só abriu em duas oportunidades e ainda sem ser em sua plenitude. Enquanto o equipamento segue fechado, os permissionários estão recebendo uma indenização mensal da Prefeitura no valor de cerca de R$ 1.200.

“Estou aqui direto, vejo centenas de pessoas que perguntam pelo mercado. Digo que não abre em dia nenhum. Muitos que conhecem meu trabalho confiam e ficam aqui, mas outros que não conhecem vão embora”, lamenta Ronaldo Júnior, que é permissionário e trabalhador da Redinha. “Da forma que está, nem trabalhamos no mercado, porque está fechado, não podemos trabalhar nos quiosques, porque foram arrancados e nem podemos trabalhar na praia. Vamos viver de quê?”, questiona.

O fechamento obrigou antigos permissionários a buscar outras ocupações para obtenção de renda, como é o caso de Rosângela Ferreira, que passou a ser cozinheira em restaurantes nas imediações da Redinha. “Estou como cozinheira enquanto chega a vez de trabalhar no que é meu. Está ruim, muito ruim. É diferente você trabalhar no que é seu e trabalhar para alguém. Gostaria de poder trabalhar, que voltasse a ser como era antes”, cita, cobrando ainda que o auxílio não sofreu reajustes no período de três anos que ela recebe os valores.

No último sábado (22), a Prefeitura do Natal realizou uma operação de fiscalização na Praia da Redinha e apreendeu 123 mesas, 29 cadeiras, 17 sombreiros e um carrinho. A Prefeitura disse que a ação é parte do cumprimento de uma ação judicial que tramita na Justiça Federal para ordenamento do comércio local.

Deu na Tribuna do Norte

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